terça-feira, 5 de julho de 2016

História Antecipada de Mim Mesmo.


O interessante a destacar é que tendo me dedicado à pintura abstrata, de repente decido fazer uma exposição inteira de quadros figurativos, com a proposição de fazer 15 quadros em quinze dias. E é o fruto desse esforço que será visto na exposição. 
Quero destacar os dias de profundo cansaço, quando a pintura exigia demais para cumprir o prazo, a tal ponto que o tempo ficou ainda menor, devido a profunda crise de enxaqueca, por excesso de ansiedade.


No final das contas, ficaram todos prontos, e estão à mostra no Caldo de Boteco, e foi assim que aconteceu. No dia 05. Quando o hoje vira Já É.
E por que foi assim? Coube bem ao meu jeito exagerado de existir.

Se eu me chamasse Van Gogh, isso teria algum significado? Não. Somos todos os mesmos seres, através das eras.

domingo, 26 de junho de 2016

O Antropomorfismo de Gileno Araújo

Pouco antes de começar a produzir as obras desta exposição a ideia era expor pinturas de natureza abstrata, linha natural de meu trabalho, mas decidi mudar completamente, por razões que alguns amigos artistas conhecem bem, pois a eles contei de minha decepção com a aceitação da arte abstrata em Pernambuco. 

Resolvi mudar então.

Se é assim, vamos jogar esse jogo. 

Vou fazer aquilo que as pessoas adoram: "Ver-se" como diria o poeta Erikcson Luna.

Vou pintar o que lhes parece aceitável.

Não via mais a razão pela qual não pudesse, não devesse ou não o quisesse fazê-lo. Depois de quase trinta anos de pintura, nenhuma tarefa neste sentido me parece impossível. 

Comecei então a pintar as telas figurativas com esse mote: A FORMA HUMANA.

Isso naturalmente no processo suscitou uma dezena de leituras, que interpenetram o tempo, a inteligência, o avanço tecnológico, a mais pura e simples expressão da dança, o beijo, o conflito entre o bem e o mal, enfim, tudo que é humano.

Eu sabia da dificuldade que teria, mas não me acovardei. Parti para cima das telas com a intenção de realizar esse desafio, como uma aposta para mim mesmo: QUINZE QUADROS, EM QUINZE DIAS.

Lancei-me então com determinação a essa árdua tarefa.
Hoje, grande parte das obras já finalizada, a dor muscular se tornou uma constante.

Os resultados foram os mais surpreendentes possíveis.

Foram quinze quadros para, na verdade, contar a história da humanidade.

E se um extra-terrestre se materializasse de repente, no melhor estilo Enterprise do seriado Star Trek, teria naquelas poucas telas, certamente uma sucinta informação sobre o nosso povo, a nossa civilização, enquanto espécie dominante no planeta Terra.

A arte é uma veia interessante da capacidade humana. Ela gera reações provocadas pelas combinações de informação, de imagens, no caso da arte da pintura, que reunindo-se falam algo sobre nós, sobre o universo inteiro, vai contando histórias mudas, lidas com os olhos...

Em razão disso me perguntei por que passei tanto tempo privando-me da oportunidade de contar algo através da pintura, em vez de ter uma estranha fixação na vontade de pintar abstrações, como a querer fugir do mundo... Mas, se eu não fosse assim, não seria artista.
Disse Van Gogh "É bem verdade, muitos artistas ficam loucos".

E essa "loucura", já tantas vezes discutida nos meios acadêmicos, algo que no passado seria realmente loucura, seria tido como a negação da normalidade, mas hoje em dia, o que é louco muda para alguém capaz de se dissociar permanentemente da realidade e incapaz de a ela retornar, o que naturalmente não é o meu caso, mas nos faz ver que nesses momentos em que nos desligamos da realidade isso é quase uma loucura. A mesma loucura que faz o trabalho em pintura parecer com a meditação, e ser vastamente utilizado em terapias ocupacionais e etc, porque faz a mente se desligar por alguns instantes. Como se aquele momento em que alguém saltou de um penhasco, se jogou para o alto, e por uma fração de segundos ficou parado entre o subir e o descer, como se aquele instante tivesse ficado congelado. Pois é isso exatamente o que acontece com o sujeito que pratica a ação de pintar muitas obras, de modo ininterrupto. 

Fui dar um passeio ali na Terra da Ausência enquanto pintava as obras da exposição. De tão ausente, cheguei até a ser atropelado, mas me ergui e continuei.

Retornando dessa viagem onde os pensamentos me abandonaram por tantas horas seguidas, pintando incansavelmente, quase em transe, retorno para o planeta Terra e trago até vocês as telas da exposição ANTROPOMÓRFICO como um dos mais interessantes acontecimentos do meu tempo de artista, no ano do meu cinquentenário.

Aguardo vocês lá, um abraço.

EXPOSIÇÃO ANTROPOMÓRFICO
Local: Caldo de Boteco, rua do Sossego, 58, Recife-PE
De 05 de Julho a 06 de Agosto de 2016

Abertura 05 de Julho às 19 hs.






sábado, 12 de março de 2016

MATERNIDADE - MAIS UMA INDIVIDUAL DE VÂNIA COUTINHO

Aconteceu nesta sexta 11 de março a inauguração da exposição Maternidade, de Vânia Coutinho.

A mostra, que se encontra aberta à visitação na galeria MOMA, dos amigos Marco Monaldi e César Machado, impressiona à primeira vista.

Damos de cara com imensas telas de rico colorido, onde uma profusão de figuras humanas se reúne num diálogo silencioso. Onde os gestos de olhar, interagir e tocar, são testemunhos da riqueza de existir, cenas de variado movimento que nos lembram o quanto a paz é uma grandeza inestimável, pois é onde os seres se reúnem para celebrar a vida, e ter o prazer de contemplar as gerações, ampliando a percepção da mente universal que vai chegando, no nascimento de cada criança.

A palavra MATERNIDADE, diz muito sobre os elaborados movimentos humanos que se acolhem mutuamente, se afagam e divertem, ou sob a profundeza da percepção, tornam-se sérios, pensativos. Mas continuam ligados, por cordões invisíveis que são mantidos pelo intento de zelar uns pelos outros.

A grande mãe desse universo é a artista, que vai passeando num flerte com a terceira dimensão, em seus empastes e relevos, suas generosas texturas, que ajudam a conferir um sentimento de materialidade, diante da imagem, que por natureza é mais sutil do que o tato. A textura então, o relevo, faz o cérebro lembrar o contexto material da cena.

As cores são livres, como é livre o sentimento que impulsionou Vânia Coutinho a se suprir de todos os elementos disponíveis para a criação plástica, desde o gesso ao apurado das cores, num diálogo audacioso, pouco comum na prática de muitos artistas, que preferem paletas mais restritas, pelo medo de errar... Mas Vânia, destemida, se lança ao abraço das cores, e o faz com equilíbrio, sem perder-se em dissonâncias cromáticas, Coutinho se revela uma artista madura, com domínio de sua busca visual. 

Suas figuras não possuem a rigidez do desenho de um Caravaggio, mas, com toda a leveza, convencem pelo conjunto, agradam por se revelar a verdadeira arte, onde o traço é só mais um aspecto, que não deve se sobressair ao plexo solar, de onde brota toda a emoção no momento criativo.

São como cenas barrocas, e o espaço da tela é preenchido por um conjunto de dramas paralelos, que cativam a observação.

Eis a princípio o conjunto de impressões acerca da artista Vânia Coutinho em sua mostra, que é como um livro onde sempre haverá algo a se ler, ou reler, sem que a história se torne menos interessante.

Estava presente na abertura o crítico de arte e curador da artista, o italiano Giancarlo Ottaviani, que nos brindou com uma inestimável palestra sobre o olhar artístico, que suprime dúvidas sobre o que é uma boa obra de arte, como apreciar uma obra de arte em seu valor supremo, a dança interna do espírito humano.

Vânia nos favoreceu com uma demonstração de sua técnica, ampliando a compreensão sobre seu processo criativo.

Ottaviani, também artista, fez uma excelente demonstração de talento, ao pintar, em poucos minutos, o retrato de Vânia Coutinho usando apenas um pincel e uma xícara de café.

A oportunidade ímpar de presenciar esses momentos inspiradores de elevada erudição, são o alto prêmio de se fazer presente em um evento desta natureza.

Serviço: 

Vânia Coutinho
Exposição Maternidade
Galeria MOMA
Av. Rosa e Silva 670, Sobreloja, Edf. Antares.
Esquina da rua Amélia com Rosa e Silva.

De 11/03/2016 a 08/04/2016
das 15 às 19 hs.






sexta-feira, 4 de março de 2016

GRUPO 40 DE ARTES E O BRILHANTISMO DA DIVERSIDADE

Foi uma noite memorável. Reunidos no casarão Toyolex/Delta Café, no bairro das Graças, Recife, quinze artistas com os mais variados estilos e tendências, protagonizaram um dos mais belos espetáculos culturais que esta cidade já teve o prazer de vivenciar.

Em um local muito bem escolhido, pela riqueza arquitetônica, pela amplidão dos espaços, que se prestam perfeitamente a uma mostra de artes visuais, um conjunto gracioso de obras povoou as paredes, o belo chão de ladrilhos e a atmosfera dessa magnífica mansão.

O início desta ação entre amigos se deu de forma a aglutinar representantes do savoir faire das artes, fazendo um by pass, em relação ao circuito tradicional das galerias, costumeiramente fechado a inovações, atado a protocolos, curadorias, trocas de favores, que muitas vezes bloqueia o livre fluxo da manifestação cultural, cria portas, que os que se veem fora do mainstream encontram fechadas, e geralmente têm dificuldades para trespassar.

Como fazer então, para alcançar a visibilidade tão sonhada, tão necessária à cadeia de produção das artes plásticas, e outras manifestações culturais?

O Grupo 40 de Artes, demonstrou, com pleno poder, nesta quinta-feira, 03/03/2016, que isto é possível com muita união, empenho, profissionalismo, amor ao ato criativo, e com soluções inovadoras.

A inauguração da exposição Imagens e Seus Argumentos, foi um sucesso absoluto. A divulgação em todos os veículos de comunicação disponíveis, a receptividade da imprensa, dos blogs, foi algo a se destacar, revelando o poder da inventividade, a força da iniciativa e a volumosa energia que envolve um acontecimento dessa natureza, quando ele tem que acontecer. 

O Recife precisava disto. De um revival das exposições de arte do antigo Atelier Coletivo, iniciativa tão memorável do saudoso Abelardo da Hora, e todos os grandes artistas que vieram em conjunto com essas mostras dos pintores e escultores da década de 50. 

Vemos no Grupo 40 uma aglutinação natural, fervilhante, cheia de graça, de mentes criativas, de espíritos audazes, de corações abertos, nesta necessidade de expressar a manifestação artística tão importante para o espírito humano.

É isto que faz toda a diferença. 

Quando um grupo se une, para somar, descartando tudo o que não convém ao sucesso de um empreendimento, o que se vê é o triunfo acontecer.

A artista plástica Dayse Pontes, que já vinha se destacando no universo do empreendedorismo das artes em Recife, pode somar mais esta gloriosa realização ao seu currículo.

Tudo fluiu como tinha que ser. Foram contatados artistas de renome no cenário local como o pintor, escultor e ceramista, Ferreira, para trazer mais experiência ao conjunto, que já contava com a participação do ícone da pintura em tela, Badida Campos, e assim a miscelânea de artistas, dentre os variados níveis de participação na atividade expositiva da arte em Pernambuco e no mundo, compôs uma saudável mistura que de maneira sucinta pretendo destacar a seguir. 

Quero dar destaque em particular ao artista Flávio Barra, conhecido como Santo Forte nas Ruas, que numa tendência bem atual, veio das grafitagens no ambiente urbano, para o contexto da mostra com uma obra que tem a virtude de reunir simplicidade e bom gosto. Em um painel que, no salão de entrada, dá as boas vindas ao olhar com cores ricas e linhas graciosas que encantam à primeira vista.

Logo ao lado, a artista Nara Cavalcanti, com duas telas de grandes formatos, retrata um tema marcante da atualidade, em suas figuras que representam refugiados, em sua árdua migração na busca de uma vida melhor. Seus olhares tão profundos emocionam pela força com que a artista concentrou a emoção nos olhos daquelas pessoas, uma adulta e uma criança, que nos encaram como a afirmar os grandes dramas porque passaram e a indagar qual o futuro possível para a humanidade. Num toque de grande sutileza, a artista revela a sua esperança, numa mensagem cifrada  ao pintar os insetos que aqui por "esperança" são conhecidos, pousados sobre os mantos das mulheres, deixando na alma o desejo de que uma vida nova seja o destino de quem sofre, para encontrar a paz.

Mosh é um abstracionista que traz obras de grande porte, impactantes, ora marcadas por um sóbrio entrecruzar de tons neutros, onde se destaca a luz, ora é um vibrante colorido, experimentado em diversidades de módulos que juntos fazem um rico painel de cores cativantes.

O escultor Alfredo Lima, também no salão de entrada, trouxe figuras magistralmente modeladas, com uma técnica muito pessoal e apurada, congrega materiais, intriga, pelo modo como transforma a resina em pedra, petróleo, carne, sangue e lágrima. Suas figuras revelam angústias comuns ao homem moderno, espremido dentro de uma realidade sufocante, lutando pela ânsia de viver, vivendo pelo anseio de sentir, querendo ar, querendo pensar, se vendo escravizado e agredido. Mesmo assim lutando para expandir-se e conquistar a liberdade. Um artista que tem muito a acrescentar a este mágico mundo da criação. Ainda se ouvirá falar muito dele.

Dayse Pontes é artista de uma técnica muito apurada, suas figuras delicadamente traçadas, tem um quê de teatral. É um simbolismo instigante, que aguça a percepção.

Roberto Botelho traz o contraponto. Em uma oposta parede lateral, diz com seus pontos sobrepostos o poder da semiótica, apresenta a interação entre cores, faz o cérebro dançar na ilusão de profundidades.

Murilo Santiago nos brindou com desenhos a nanquim, que numa impressionante riqueza de detalhes, refletem sobre a nossa relação com os objetos, o mundo das formas, os utilitários, os cacarecos e tudo isto se junta para compor um exercício de criatividade.

A essa altura o passeio já prende o espírito neste labirinto de curiosidades. Ao pé da escada, Beatriz Brenner fazia uma noite de autógrafos de seu livro TRACEJOS, onde com belas aquarelas conta o prazer de um passeio pela vida. Dá a quem não foi, o gosto de uma viagem à Áustria, em imagens tão cativantes quanto suas palavras. 
Artista de múltiplos talentos, tem também suas telas expostas no casarão. Uma cena de casal, onde quase é possível sentir o intercâmbio de sentimentos entre os mesmos, e um pouco mais adiante uma curiosa reunião de cenas das pinturas de Van Gogh, onde com muita propriedade faz uma síntese da vida e da obra deste mestre da arte, num momento de grande inspiração.

Num link de sutilezas entre o dizer e o mostrar está ali presente, Badida Campos. A sua pintura é palavra pintada, são figuras que dizem grandezas da vida. Olhar uma tela de Badida é descobrir o quanto um longo processo de pesquisa visual, aliado ao sentimento inebriante de querer se expressar com pincéis, pode revelar uma obra riquíssima, que conquista fãs incondicionais por onde passa. Não sei o que dizer sobre esta grande dama das artes que Pernambuco teve a sorte de acolher. É só contemplar e se encantar com suas sutilezas. Suas imagens me inebriam, me roubam do mundo da razão, para os desvãos do insondável. É um universo paralelo. É isto o que se pode dizer sobre a grandeza de sua arte.

Na sala contígua, mais a ver. 

Késia Duarte tem o olhar da fotografia, do silêncio que habita o momento.

Ezequiel Sá mescla a fotografia com a manipulação digital, exercendo o dom de impor-se ao tema.

Ao fundo algumas esculturas cerâmicas de Ferreira, retratam animais escatológicos, com intensa expressividade.

Uma tela de Marco Monaldi, com seu preciosismo clássico, fez muitos dos presentes se encantarem com o excelente trabalho de representação anatômica, e a temática dos anjos, deste artista advindo da academia florentina de artes da Itália.

Rikia Amaral é um exemplo da diversidade do grupo 40. Um grupo que de modo geral não se reúne por identidade visual mas, pelo contrário, cresce pela justaposição de opostos. As pinturas de Rikia são como a manifestação de um país das maravilhas ao avesso. A artista demonstra sentir o prazer de experimentar um plano criativo que congrega o bizarro e o mágico no mesmo contexto. Com simplicidade no desenho, e uma intrigante narrativa, não nos deixa passar indiferentes. Faz-nos, com suas imagens, percorrer os detalhes de suas telas, cheias de significados ocultos. 

Para falar sobre a mostra Imagens e Seus Argumentos, há que se destacar o papel de todos que se irmanaram com a proposta, incluindo Claudionor Hollanda Filho, o Criolo, promotor e co-fundador do grupo; Verônica Lima, que coordenou vários aspectos da organização de uma mostra tão complexa e o fez com grande competência; Marcia Cabral, na intermediação que tornou possível a utilização do espaço Toyolex/Delta Café, a partir de então indelevelmente gravado na história da Arte em Pernambuco. No restaurante Casato Bistrô, no andar superior, há ainda uma extensão da mostra, num ambiente acolhedor e aconchegante.

Circulando pelo Casarão nessa noite tão agradável, foi de grande valor o encontro com o poeta Djair Vasconcelos, que com sua visão poética, muito contribuiu para a amarração do contexto cognitivo que transborda do conjunto da mostra. O mesmo estaria lançando o livro Armário, mas por infelicidade o libelo não ficou pronto a tempo. O que não nos impediu de ouvi-lo em sua poderosa recitação dos versos de sua autoria.

Com todo esse conjunto de informação, não se pode adentrar o Casarão sem sair de lá com a certeza de que se teve a oportunidade de vislumbrar um painel de ricas expressões culturais, que reforçam o poder e a importância da cultura e das artes na construção de uma sociedade mais justa e mais humana.

Serviço:

"IMAGENS E SEUS ARGUMENTOS"
Local: Casarão Toyolex/Delta Café
Av. Rui Barbosa, em frente ao colégio São Luis - Graças - Recife
A mostra vai até o dia 02 de abril de 2016.





























sábado, 13 de fevereiro de 2016

IMAGENS E SEUS ARGUMENTOS - MOSTRA IMPERDÍVEL DO GRUPO 40 DE ARTES

No próximo dia 03 de março terá lugar um dos melhores acontecimentos no universo artístico do Recife em 2016: a exposição "Imagens e Seus Argumentos" do Grupo 40 de Artes.

O Grupo vem se formando desde a criação da Galeria 40, da artista plástica Dayse Pontes, que veio a encerrar suas atividades. Segundo a mesma, pairava no ar uma necessidade de fazer com que aquela iniciativa viesse a ter uma continuidade. Daí surgiu a ideia de reunir os artistas que expuseram na 40 e mais alguns interessados em aglutinar talentos de modo a aumentar a visibilidade, com a ascendente força que fomenta o afã de um pouco mais de expressão, criando valores inestimáveis para o contexto cultural. 

Desde os tempos dos pintores impressionistas de Paris, tem-se ouvido falar na reunião dos que, por força da afinidade entre os que praticam o mesmo ofício, vêm a constituir associações, que seriam responsáveis pela produção de exposições de arte, com a finalidade de marcar presença nos acontecimentos culturais da cidade. Na França daquele tempo, os pintores impressionistas decidiram proceder assim como uma forma de decretar a sua independência, perante os críticos de arte oficiais, que lhes recusavam em repetidas tentativas de serem aceitos nos salões promovidos pelo governo.

Havia na atitude dos curadores da época um purismo, que de tal modo não consentia com a experimentação, com a expressão espontânea dos que praticavam as belas artes. Tais críticos, de atitude conservadora, censuravam com expressão amarga as produções artísticas mais espontâneas e independentes do padrão estabelecido pela academia. Tempos depois, aqueles que na época eram rejeitados pelos salões tornaram-se as maiores estrelas das artes de todos os tempos.
Atualmente a exclusão se dá por outros fatores, difíceis de analisar, mas também ocorre entre a multiplicidade de artistas que decidem se manter fiéis aos seus ímpetos criativos.
Só os artistas com muita determinação, diante das grandes barreiras para chegar ao topo, e vontade firme no sentido de se afirmar perante o público, conseguem marcar presença, mas não sem o concurso de grandes sacrifícios e muita disciplina, para produzir exposições com a atualização de suas produções.

Naqueles tempos românticos da França no século 19, os pintores impressionistas reuniram as suas obras nos salões de um fotógrafo que era amigo do grupo. 
Hoje a amiga do grupo é a empresária Márcia Cabral, proprietária do Delta Café que funciona nas dependências onde se dará a mostra Imagens e Seus Argumentos. Márcia fez a ponte com a administração do Casarão Toyolex/Delta Café para que o espaço viesse a ser invadido pela arte.
A julgar pela grandiosidade da área interna e o talento dos participantes do Grupo 40, será um notável acontecimento.



A mostra terá pinturas de Badida Campos, Roberto Botelho, Dayse Pontes, Murilo Santiago, Marco Monaldi, Beatriz Brenner, Rikia Amaral, Mosh e Nara Cavalcanti; esculturas de Ferreira e Alfredo Lima; fotografias de Kesia Duarte e Ezequiel Sá; grafitagem de Flávio Barra, poesias de Djair Vasconcelos, além da participação do professor Roberto Markenson.

O Grupo é um indicativo de que a união para atuar no contexto complexo das artes visuais, continua fazendo a força, e a diferença. 

Serviço:

"IMAGENS E SEUS ARGUMENTOS"
Local: Casarão Toyolex/Delta Café
Av. Rui Barbosa, em frente ao colégio São Luis - Graças - Recife
Abertura 03 de março de 2016 às 19 hs.
A mostra vai até o dia 02 de abril de 2016.