domingo, 13 de dezembro de 2015

MIRO SOUTO NA CASA DA RUA

Seguindo no encalço da arte que se faz em Pernambuco, fui parar na exposição de Miro Souto, na Casa da Rua.
Ao adentrar o recinto da exposição fui envolvido por um conjunto de aquarelas que me revelou um desenhador refinado, de traço firme, que explora as formas com a habilidade de quem tem o hábito do desenho.
Há uma poética transbordante nas obras de Souto. Tanto o artista é capaz de criar mundos imaginários, que lembram os ilustradores de histórias em quadrinhos, quanto também dá ao desenho do natural um toque poético que põe a realidade objetiva dentro de um reino encantado, um universo paralelo.
O talento do artista se tornou evidente ao primeiro olhar. E como numa sala de fantasia de um inesperado país das maravilhas, estendo a mão para colher um dos muitos cadernos que o mesmo dispôs em uma pequena estante, para o manuseio. Comecei a folhear e o encanto não parou de me surpreender, pois era uma sucessão de páginas com cenários fantásticos, figuras surreais que se derramavam aos meus olhos, numa profusão de arte que alcançou a essência do meu pensamento.
Vim a saber então que Miro é artista da animação, e portanto ficou esclarecida a grande variedade de desenhos, pois um animador precisa ter essa desenvoltura, a fim de compor histórias nessa modalidade cinematográfica, produzindo variações à exaustão, muitas vezes para obter uma pequena cena, de apenas alguns segundos.
Miro Souto é a prova viva de que a prática conduz à perfeição.



Inaugurando um novo formato, com vocês uma pequena entrevista com o artista:

Serviço:

Casa da Rua

R. Dona Ada Vieira, 112 - Casa Forte - Recife

081 3269-0822

sábado, 12 de dezembro de 2015

A PERMANÊNCIA DA ARTE - LUCIANO PINHEIRO E AMIGOS, EM OLINDA

A chegada em Olinda, Alto da Sé, de onde se pode avistar todas as luzes e cores das cidades irmãs, é uma antecipação do deleite visual que se pode encontrar ao caminhar alguns metros, por entre o casario de histórica força, até chegar ao espaço cultural criado pelo artista plástico Luciano Pinheiro, que de portas abertas nos convida a um encontro com a arte.

Na coletiva, A PERMANÊNCIA DA ARTE, Humberto Magno, Aderbal Brandão, Maurício Arraes, José BarbosaEduardo Araújo e Luciano Pinheiro.
Toda a área da frente e a parte lateral dessa secular construção foi tomada por um delicioso ajuntamento de obras, que em poucos passos nos dá de presente a euforia de absorver a informação visual contida na produção desses vigorosos artistas, que com suas obras nos contam um trecho significativo da história da arte em Pernambuco, no Brasil e no mundo, pois é um patrimônio de criatividade, de poesia e beleza, que nos é ofertado de modo afetuoso pelos anfitriões da mostra.

A experiência artística, como introduz o texto de abertura, é um registro da experiência humana. É um acontecimento que veio amadurecendo desde as pinturas rupestres, transportando dos transes místicos do começo ao transbordar da expressão que revela um amálgama de sentimentos, que permeiam tanto as obras quanto a presença dos criadores, com suas vidas saturadas de cultura, de formação intelectual e exercício da sensibilidade.
Neste contexto, um passo que se dá ao universo da exposição é um transporte aos variados estímulos que nos alcançam como duendes, ou gnomos da percepção de toda essa história carregada de vida e apreço pela força do ato criativo. 

Vemos, por exemplo, na parede que reúne imagens do fotógrafo Aderbal Brandão a viagem de um ser por este mágico planeta, colhendo amostras de cenas que desenham com luz a travessia da vida, no convés de um barco singrando os mares ao entardecer, nas paisagens criadas pela vegetação, pelas águas, mas também a paisagem da amizade, onde o mago das lentes nos presenteia com registros de seus amigos artistas, nomes importantes da história recente das artes visuais, como José de Barros, Gilvan Samico, Guita Charifker, que para os iniciados representam uma história de amor ao fazer criativo, os nossos valentes que afirmaram o poder da liberdade, nos tempos sombrios da ditadura em que o país mergulhou por mais de duas décadas. 
Aderbal nos revela ainda o volume de seu livro onde registrada ficou uma vivência ao lado de Guita Charifker, considerada uma das melhores aquarelistas do Brasil. No seu atelier em Olinda, onde o ambiente era um convite à criatividade, cercada pelas plantas que num rico bordado envolviam o olhar, Guita se lançava ao ato de pintar, distraída enquanto Aderbal aguardava o momento ideal para registrar esse sagrado instante da artista, às voltas com seu mundo, às vezes desenhando, às vezes criando no espaço da alma, numa rede que balança, cercada de silêncio. São registros mágicos de belos momentos, deixados como sementes para fecundar a posteridade.

Eduardo Araújo vem com suas telas nos dar a dimensão da pesquisa, de um olhar ávido, com todas as forças reunidas em sua predisposição para a composição de imagens, vai se alimentando de tudo que encontra pela frente, seja um cesto de frutas ou uma tela de Marc Chagall, e revertendo em arte pura, de impulso vigoroso, como algo que não pode ser contido, e vem se juntar ao contexto de tudo.

Humberto Magno também é um personagem importante na história da arte em Olinda. Esteve presente em várias das grandes exposições que marcaram a trajetória dos artistas olindenses, afirmando sua força e projetando esse grupo no cenário nacional. Sua arte faz uma espécie de fagocitose do mundo real, para então regurgitá-lo de maneira simplificada, geometrizada, sem perder o contato com a maneira orgânica de compor imagens que associam a paisagem urbana, a natureza e a figura humana, de maneira muito pessoal, como impressões condensadas, que se delineiam com intensidade para fazer brotar a conjugação de tudo que representa o estar contido no mundo.


José Barbosa é um artista visionário. Suas imagens contam contos de reinos fantásticos, de rica natureza, certamente influenciada pelos quintais de Olinda, que são cenários mágicos onde a arte encontra um suprimento de fantasia e de exuberância que irrigam a imaginação. Trafegando com firmeza por várias técnicas, como o tradicional baixo relevo entalhado na madeira, expressão de arte que anda um pouco esquecida, mas que foi muito comum nos anos 70/80 onde era possível encontrar muitos entalhadores exercendo seu ofício e vendendo suas obras nas ladeiras de Olinda. Mas o artista, dotado de muitos recursos, vai além disso com pinturas que impressionam pela riqueza de detalhes, onde os elementos pictóricos, fruto de sua própria iconografia, vêm se somar com intensidade na apresentação de alegorias visuais de grande poder.

Luciano Pinheiro é um artista cuja obra deve ser alvo de atenção por todos os que se interessam pelo legado da arte mundial. A pintura de Pinheiro, como no artista catalão Juan Miró é um processo de definição de elementos escolhidos por uma força organizadora, que vai reunindo o que deve fazer parte do seu mundo. O desenho é único, e ao se avistar uma obra de Luciano Pinheiro têm-se a imediata identificação do artista, dado à originalidade conquistada também pela restrição das cores, em geral o amarelo, o azul, o vermelho e o verde, contornados em alguns momentos por um firme traço escuro, que organiza tudo. Vale destacar o vigor de sua capacidade de composição, a intensidade que emana das obras como um orgasmo visual, que vem da boa utilização das proporções, onde a cor pura, em planos amplos, vai se repartindo em pinceladas como jorros de elementos que se juntam na composição de paisagens mentais, arranjadas com maestria.

Maurício Arraes é um artista que incorpora com muita propriedade o humano em sua representação de cenas urbanas. A sua arte carregada de um sentimento lírico, tem um traço rico, cativante. Passeia com naturalildade por todos os ambientes, interessado em destacar as cenas simples que carregam de vida os lugares onde o ser humano transforma a paisagem no cenário onde experimenta o exercício de viver. Suas cores suaves conferem ao observador um estado de contemplatividade onde surge uma predisposição ao mergulho no contexto pictórico.


Dentro dessa configuração de fortes manifestações do espírito criador, que é A PERMANÊNCIA DA ARTE, quem tem a bem aventurança de adentrar esse microcosmos de pura irradiação artística, é envolto numa bolha transmutadora de estados de alma, revertendo tudo para uma ordem superior, onde o ser se sente guiado ao que há de imortal em sua passagem pelo tempo.

A mostra segue até o dia 20 de dezembro de 2015. Restam poucos dias para quem pretende se deleitar num ambiente que reúne a contemplação da arte e a camaradagem desses magníficos artistas, que os receberão de maneira acolhedora, conjuntamente com a graça e simpatia da produtora cultural Marleth Reis, da Ponte Produções, no espaço de exposições de Luciano Pinheiro.


Serviço:

A PERMANÊNCIA DA ARTE
Rua Bispo Coutinho, 828, Alto da Sé, Olinda.
Tel. 3429.0232
Horários: Quintas, sextas e sábados das 16 às 21 hs.
Outros dias e horários mediante agendamento
Marleth Reis, cel 99755.4475, ponte@ponteproducoes.com.br

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

OS SKETCHBOOKS DE RAUL CÓRDULA E UMA INTERESSANTE COLETIVA NA PLURAL

Algumas exposições têm tanta personalidade, que podem ser vistas como um atestado da riqueza, da maturidade e da qualidade da produção local.

A mostra que foi inaugurada nesta quarta-feira, 10 de dezembro, na galeria Arte Plural, veio agregar ao lançamento do sketchbook de Raul Córdula, as obras de competentes artistas do universo das artes visuais.
Na publicação dos cadernos de esboço de Raul Córdula vê-se que o geométrico é um processo muito mais lírico do que se pode supor em um olhar apressado. Suas imagens de figuras geométricas vão se experimentando, num exercício rumo à perfeição, para que então o artista venha a decidir o que virá a ser uma obra finalizada, tornando-se, afinal, o próprio caderno de estudos a obra. 
Folhear o sketchbook de Córdula é vivenciar um tesouro de segredos. É uma experiência de música visual, que embala o pensamento, o sentimento vai ficando de acordo com aquele universo de complexa simplicidade.
O artista nos conta que fica feliz por ter seus esboços reunidos em um volume (numa primorosa edição de capa dura). É uma maneira de compartilhar todo o seu processo, universalizando e tornando disponível para as bibliotecas, uma forma de ver imortalizados os seus estudos e esforços, e tornados acessíveis ao público.

Quanto à coletiva Ensaio Geral, 20 artistas entre eles  Bruno Alheiros, Alexandre Severo, Beto Figueiroa, Carlos Pragana, Raul Córdula, Ana Catarina Mousinho, Tiago Amorim, Manuel Dantas Suassuna, Antônio Mendes, Valéria Rey Soto, George Barbosa, Rinaldo Silva, Thina Cunha, Maurício Arraes, Maurício Silva, Ana Catarina Mousinho...

Em destaque a pintura de Ana Catarina Mousinho, um magnífico abstrato de grandes proporções que agrada ao primeiro olhar pelo equilíbrio dos volumes, e apuro na composição, além da riqueza na combinação de cores tropicalientes... 

Maurício Arraes apresenta um típico francês em sua caminhada ao padeiro. Uma cena simples, representada de modo refinado.

Thina Cunha, numa composição de boa altura, nos apresenta uma dama nua ao violoncelo, numa pintura que tem a firmeza de quem domina o próprio ofício.


A pintura de Rinaldo Silva, conquista o observador pela combinação harmoniosa de formas compostas com grande habilidade, gerando uma perfeita interação entre todos os elementos. É um relacionamento de ritmos, numa simbiose entre a geometria e as figuras integradas pelas cores. Muito bem aplicado o título "O Manipulador de Formas", pois é assim que vemos a ação do artista, a guiar sua criatividade pelo espaço da tela, fazendo o nosso olhar dançar por entre esta algaravia de elementos pictóricos.

George Barbosa, na composição "Paris", traz uma visão da complexidade urbana, e como, no contexto da metrópole o ser humano é um elemento intrigante, a se integrar no cenário, contribuindo para o todo não apenas com o seu olhar, mas também com a sua própria imagem.

Uma das obras que mais nos chama a atenção é a primorosa pintura de Valéria Rey Soto, uma impressionante composição com um desenho encantador, onde a encenação dos personagens se assemelha a Gustav Klimt, em particular na obra "O Beijo". Trata-se de uma delicada cena onde se observa o relacionamento entre mãe e filho, registrado de maneira poética, onde a criança, a solicitar da mãe a atenção, está no campo de ação desta presença feminina como em um plano de plena harmonia, onde o manto que à mãe recobre, trabalhado com arabescos magistralmente integrados ao ambiente cromático, escorre sobre os personagens, como a envolvê-los na magia da arte e da beleza.


Antônio Mendes revela desenvoltura na escolha das cores e no arranjo de volumes, em um casario estilizado, que remete a Kandinsky, em sua transição do figurativo para o abstrato. Mendes comentou sobre o continuado esforço que o artista deve empreender para transitar entre a imagem observada e o mundo subjetivo, a fim de não ser escravo da realidade, mas também sem se perder no jorro de emoções que advém da psiquê, procurando manter uma linha de equilíbrio entre o real e o imaginário. E ao fim dessa luta, onde a sintonia entre o objetivo e o subjetivo deve ser mantida, a obra é o resultado desse diálogo. 

A exposição de arte é um âmbito de intercâmbio de talentos. Como em cada ocasião onde há um ambiente cultural, voltado para o deleite do espírito pela janela do olhar, vão se reunindo os presentes à mostra, de lado a lado, figurando em grupos animados, discorrendo sobre todo esse assunto artístico, como a veia que o fluxo leva, nas belas imagens que irradiam uma pequena explosão de alegria, e essa onda, feito uma corrente de luz de um filme de ficção científica, circula entre cada uma das cabeças pensantes.

Em meio ao distinto público, a artista Beatriz Brenner nos fez a gentileza espontânea de apresentar seu pequeno caderno de esboços, um livro de viagem com graciosas aquarelas, que sutilmente se derramam entre as páginas, como retratos da mente, imagens que se ajuntam em combinações espaciais de proporções exatas, apenas para fazer desenhos de cenas e acontecimentos do caminho, onde sorri a pessoa amiga, que num abraço expressa partidas ou chegadas, num simples caderninho, que também de esboços acaba por revelar a perfeição de cada momento.


E neste sentido é que se diz da importância do acontecimento cultural para a expansão dos valores coletivos das artes, fortalecendo toda essa categoria de criadores, contribuintes da cultura, e que se reconheça a cultura como um valor absoluto, e imprescindível para o bem da sociedade.


Algumas obras de artistas da mostra




Córdula autografa seu livro 

Foto de Lucas Oliveira 
onde se vê Córdula folheando os originais.

Foto Divulgação Arte Plural



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Galeria Arte Plural

Exposição “Ensaio Geral” e lançamento do livro de Esboços (sketchebook), de Raul Córdula.

Rua da Moeda, 140, Bairro do Recife

Visitação do público: 10 de dezembro a 28 de janeiro – terça a sexta, das 13h às 19h | sábados, das 16h às 20h.
Entrada franca.
Informações: (81) 3424.4431

domingo, 6 de dezembro de 2015

BORA!

Quando a cultura é uma forma de lazer, motivo de encontro e descontração, e também um fator de prosperidade para os que nesse campo atuam, podemos ter a satisfação de encontrar no ambiente urbano o somatório de portais que se abrem, pela livre iniciativa, em recantos comerciais da cidade como um simples shopping center, onde o afluir de um fluxo  humano de congraçamento, e contemplação da habilidade das mãos é uma experiência enriquecedora.

Foi assim no BORA, neste sábado dia 05 de dezembro.

Em uma galeria no Shopping Paço Alfândega, um evento multicultural, envolvendo artes, artesanato, industrianato e outras manifestações do engenho de cada um, uma galera legal compareceu, irradiando luz, dando o ar da graça. Numa microfeira bem animada, com um quê dos ancestrais Mercado Mundo Mix, todos os participantes da mostra estavam ali como pessoas geniais que são, favorecendo-nos com sua criatividade, e gentilmente a postos para interessantes explanações sobre seus trabalhos, suas obras, a fonte de inspiração, ou os detalhes em que a singularidade dos seus espíritos se revela.

Há que se aplaudir um acontecimento como este. Pois ao despertar de um novo dia nos lembramos das cenas como se um teatro interessantíssimo tivesse acontecido no espaço da galeria. Com direito até a algumas pequenas palestras em um palco muito bem pensado. 
Isso é demonstração de competência. É valorização da arte, do design e da cultura como um todo a tal ponto que se vê o quanto a cultura é um fundamento da educação. São pessoas cheias de talento e de valor, a se fundir numa grande mente, altamente inteligente, empreendedora, com iniciativa e cheia de recursos.

Bem, para falar sobre algumas Obras observadas em exposição neste ambiente bem democrático, onde se vai limpando o ranço do preconceito, no qual os artistas para se "valorizar" não podem se misturar com os novos. Vê-se no BORA artistas com maior formação e experiência, expondo ao lado de jovens que mal iniciam a sua relação com o fazer criativo. Numa evidente demonstração de que realmente não há porque um artista não ser capaz de manifestar humildade, favorecendo a todos com participações no máximo possível de exposições coletivas, e brindando-nos com a sua presença.

Sem mais delongas, ao chegar no Paço Alfândega, neste sábado, procurando a localização do evento, de longe avisto dois retratos, bem acadêmicos, olhando-nos, como a nos convidar, com seus olhos desafiadores. Eram as pinturas de Nara Cavalcanti, uma refinada artista de projeção internacional, nascida em Recife, apresentando a escultora Camille Claudel, e outro do pintor Claude Monet.
Mesmo quem não conhece esses personagens da nossa história, se detém a observar com admiração a habilidade nos pincéis da artista, sua maestria na resolução dos olhos, e demais aspectos da composição, como os fios de cabelo, os detalhes da roupa, tudo bem posto como o faria um Eduard Manet.
O retrato de Camille Claudel por exemplo é, talvez pela identificação com a essência feminina, o mais impactante. Seu olhar parece um grito silencioso, a pedir socorro, a indagar o por quê de toda a angústia.
São telas que conseguem transmitir o misto de admiração e respeito que infundem os personagens. A artista conquista a luz com suas figuras de olhar franco e penetrante. É como se as personalidades ali representadas, tivessem parado um pouco, sob a luz da imortalidade e dos paraísos celestiais se deixado registrar pelo olhar da pintora.

Sem correr o risco de me estender muito, vale destacar o empenho de Nara Cavalcanti em aprimorar cada vez mais sua arte. A artista comenta que costuma se hospedar em um monastério italiano, com a única determinação de ir aos museus e academias da Itália, a fim de se dedicar ao desenho, na proximidade dos mestres da antiguidade clássica. Pelo que se vê têm sido de grande proveito essas temporadas.

Mudando o foco agora para os outros participantes gostaria de destacar os desenhos a bico de pena de Caio Neiva, muito delicados, em seus traços finos.

Também o BROS, artista de desenho expressivo, que trabalha com técnicas mistas, dando mostras de que no complexo da cidade, tudo é anormalidade, em constante mutação, com colagens, aerografias e tinta à base de PVA.

Dentro da galeria também é possível encontrar o artista multimeios JP, o João Pessoa, que em uma de suas pinturas, vai mostrando maneiras inteligentes de trabalhar com figuras geométricas, como as malhas, que são espaços abertos entre os nós de uma rede visual. O resultado é intrigante como as pinturas da Optical Art dos anos cinquenta, porém mais humanizadas, pois o artista valoriza os tremores naturais das mãos para que o resultado não seja frio, e distante. Aproximação que consegue também pelo uso de cores quentes.

E vários e vários outros artistas alí estavam presentes como Emerson Pontes, com o seu personalíssimo design dos grãos que fazem florir, demonstrando que sempre vem coisa boa por aí. 

De modo geral o que se vê por toda parte é o talento coletivo, num acontecimento que vale a pena conferir. Bora?











Serviço:

Espaço Bora.
Paço Alfândega, Bairro do Recife.






sábado, 5 de dezembro de 2015

REYNALDO FONSECA NA BARTE GALERIA - POÇO DA PANELA

Não posso deixar de registrar a minha recente passagem por uma exposição muito importante que acontece na galeria Barte, em Casa Forte. 
MÁGICAS MÃOS DE REYNALDO FONSECA reúne algumas obras do pintor nesse charmoso espaço de arte.
 

O artista Reynaldo Fonseca é um pintor de veia clássica, com uma pintura de estilo muito particular. Com suas figuras de grandes olhos revela o ser humano em uma contemplatividade eternizada, observando com interesse reticente a vida ao seu redor.

A sua forma de pintar lembra os artistas holandeses do século 19, onde o medievo apresentava os personagens com interesse rígido na  representatividade sólida de suas presenças. Os humanos estão ali exibidos como insólitas criaturas, cercadas por seus objetos de uso pessoal, a todo momento precisando de algo ao seu alcance, ou de alguém para uma interação formal e entediada.
Em Fonseca as personagens nunca estão em profusões de sorrisos e grandes entusiasmos. No máximo esboçam um ar de riso, à Mona Lisa.

Sua técnica é precisa, apurada e paciente. Mas vale destacar que com o passar do tempo o artista veio de um acabamento meticuloso, a uma finalização mais descontraída, onde os contornos se tornam mais soltos.

Ao completar os seus noventa anos, Reynaldo ganhou de presente esta mostra na Brasil Arte e a marchand Beth Araruna, fiel guardiã, com uma trajetória de amizade e parceria comercial, conta que o pintor Reynaldo Fonseca, no alto de seus noventa anos, ainda mantém a mesma disciplina que sempre o caracterizou: diariamente toma seu café da manhã e sobe ao atelier para pintar até ao meio dia, faz sua refeição, acrescenta um breve descanso, e novamente volta ao trabalho, com toda tranquilidade, para estar às voltas com os pincéis até às cinco da tarde.

Reynaldo Fonseca é um desses expoentes de nossa arte, que merece todo nosso carinho, nossa valorização.
Ele inspirou gerações de artistas com suas obras, em tempos que a arte era algo ainda mais hermético em nosso estado, quando os meios de comunicação não ofereciam as facilidades que hoje temos para tomar conhecimento da obra dos grandes artistas.

Serviço:

BARTE GALERIA
Rua Marechal Rondom, 305 / 202 - Poço da Panela - Recife - Pernambuco - Brasil
Das 10:00 às 18:00
55+81.99874542 - Email: bethararuna@barte.com.br