quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

PAISAGENS DO AGRESTE AO LITORAL NA GALERIA UFFICI

Nesse amálgama de tendências que é a conjuntura da arte em Pernambuco, surgem manifestações de valor que costumam somar originalidade e tradição.

Vários artistas do passado, desde séculos atrás, praticaram a pintura ao ar livre, com o cavalete instalado sob o sol, sob as intempéries, ao alcance das formigas de todos os tipos. É o artista levado ao paroxismo do desconforto, a procurar captar a cena da maneira mais fiel possível, por esse chamado que os leva a querer expressar o sentimento que a natureza lhes causa.

Têm toda razão para estarem diante da natureza, André Valença, Adriano Cabral, Feliciano dos Prazeres, Sandro Maciel, Fábio Rafael, Antônio Mendes e Mané Tatu. 

Esses amigos decidiram ir a campo, juntar as forças, fazer uma operação logística, levando todos os apetrechos necessários para a sua produção. Para pintar a céu aberto.

Todas as distâncias, os deslocamentos, os erros e acertos, e os momentos de inevitável mau humor entre vários camaradas muitas vezes no sol perdidos, num calor infernal, procurando o melhor lugar para instalarem seus cavaletes...

Toda essa experiência, que culmina onde o artista se sente à vontade para deixar que a vista determine o que a mão deve fazer, diante de lindas paisagens como os arredores de Vila Velha, na ilha de Itamaracá, ou os pastos das fazendas, no interior do estado.
Segundo Antônio Mendes, são formas de revelar ao público, imagens naturais, cenas que de outra forma não seriam acessíveis, ainda mais com o toque de poesia que a arte traz.

Mas com as paisagens destes amigos da pintura ao ar livre, isto se torna possível. Eles até mereciam um nome de grupo, uma marca do coletivo.

É um resgate de peso da pintura de paisagem.
Fábio Rafael nos conta que por exemplo, se o artista vai pintar a mesma cena, mas olhando a partir de uma fotografia, jamais vai poder expressar o que é se sentir exatamente naquele local, com a emoção que aquela cena repassa. 

É muito diferente estar envolvido com o astral da situação, e retransmitir o que se pode chamar de verdadeira pintura, pois não expressa apenas uma imagem, mas toda uma gama de informações guiadas pela emoção, que no final chegam a transmitir a sensação boa que se tem ao pé de uma árvore, vendo a suavidade dos tons de luz, entremeados das sombras dos galhos, e das folhas, fazendo o observador até sentir como é estar diante de uma linda imagem natural.

Outro aspecto a se destacar é que a tinta acrílica foi utilizada em unanimidade pelos participantes da mostra. Pintura de qualidade onde cada um deixa transparecer suas características, tais como Fábio Rafael com seus toques curtos, seus arvoredos que transmitem um sentimento bucólico.

Em Feliciano dos Prazeres vemos volumes de cor, de grande beleza no engenhos da zona rural, ou nas paisagens à beira mar,  pintadas de modo simples e vigoroso. 

André Valença, com pinceladas de formatos diversos, dos traços finos aos rústicos, pinta com leveza e precisão.

Adriano Cabral traz paisagens de cores quentes, vibrantes, confere uma bela claridade à cena.

Mané Tatu é o mais despojado. a pintar com um traço bruto, que de bruto nada tem. Busca volumes.A paisagem é composta por planos de cor.

Antônio Mendes consegue trazer para o centro da percepção, a natureza sublime, o sentimento de paz e serenidade do mundo natural. Com muita riqueza na justaposição dos tons, um relacionamento agradável entre os terrosos e os verdes. Aplica empastes com mestria, dando ao resultado final uma impressão de intensidade.

Sandro Maciel é o mais impressionista, é um artista cujas obras se beneficiam de um ou dois passos para trás, ao serem observadas. Suas pinceladas feéricas criam uma sensação de atmosfera, que aceita melhor um pouco de distância. É daqueles artistas que convencem pela energia com que se lançam ao motivo. Com rapidez conquista a tela, de maneira intensa e marcante.

A exposição "Do agreste ao Sertão", na galeria Uffici, sob os cuidados de Julieta Pontes, é uma das oportunidades de ver que a arte em Pernambuco, mantendo a tradição, vai sendo imortalizada nessas levas de imagens que se materializam aos nossos olhos, que só têm a agradecer por tanta beleza.
Tudo por conta dos devaneios destes heróicos viajantes do plano da estética, da criação, dos poderes da cor e da luz.
Parece que Franz Post criou gerações de seguidores nas terras pernambucanas.


Fábio Rafael

Feliciano dos Prazeres

 André Valença

 Adriano Cabral

Mané tatu

Antônio Mendes

Sandro Maciel



Serviço:

Exposição do Agreste ao Litoral
De 02 de 30 de Dezembro das 9:00 às 18:00
Galeria Uffici
Rua Estudante Jeremias Bastos, 442 - Pina
Fone: 55 81 3325-2634
galeriauffici@gmail.com