quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

OS SKETCHBOOKS DE RAUL CÓRDULA E UMA INTERESSANTE COLETIVA NA PLURAL

Algumas exposições têm tanta personalidade, que podem ser vistas como um atestado da riqueza, da maturidade e da qualidade da produção local.

A mostra que foi inaugurada nesta quarta-feira, 10 de dezembro, na galeria Arte Plural, veio agregar ao lançamento do sketchbook de Raul Córdula, as obras de competentes artistas do universo das artes visuais.
Na publicação dos cadernos de esboço de Raul Córdula vê-se que o geométrico é um processo muito mais lírico do que se pode supor em um olhar apressado. Suas imagens de figuras geométricas vão se experimentando, num exercício rumo à perfeição, para que então o artista venha a decidir o que virá a ser uma obra finalizada, tornando-se, afinal, o próprio caderno de estudos a obra. 
Folhear o sketchbook de Córdula é vivenciar um tesouro de segredos. É uma experiência de música visual, que embala o pensamento, o sentimento vai ficando de acordo com aquele universo de complexa simplicidade.
O artista nos conta que fica feliz por ter seus esboços reunidos em um volume (numa primorosa edição de capa dura). É uma maneira de compartilhar todo o seu processo, universalizando e tornando disponível para as bibliotecas, uma forma de ver imortalizados os seus estudos e esforços, e tornados acessíveis ao público.

Quanto à coletiva Ensaio Geral, 20 artistas entre eles  Bruno Alheiros, Alexandre Severo, Beto Figueiroa, Carlos Pragana, Raul Córdula, Ana Catarina Mousinho, Tiago Amorim, Manuel Dantas Suassuna, Antônio Mendes, Valéria Rey Soto, George Barbosa, Rinaldo Silva, Thina Cunha, Maurício Arraes, Maurício Silva, Ana Catarina Mousinho...

Em destaque a pintura de Ana Catarina Mousinho, um magnífico abstrato de grandes proporções que agrada ao primeiro olhar pelo equilíbrio dos volumes, e apuro na composição, além da riqueza na combinação de cores tropicalientes... 

Maurício Arraes apresenta um típico francês em sua caminhada ao padeiro. Uma cena simples, representada de modo refinado.

Thina Cunha, numa composição de boa altura, nos apresenta uma dama nua ao violoncelo, numa pintura que tem a firmeza de quem domina o próprio ofício.


A pintura de Rinaldo Silva, conquista o observador pela combinação harmoniosa de formas compostas com grande habilidade, gerando uma perfeita interação entre todos os elementos. É um relacionamento de ritmos, numa simbiose entre a geometria e as figuras integradas pelas cores. Muito bem aplicado o título "O Manipulador de Formas", pois é assim que vemos a ação do artista, a guiar sua criatividade pelo espaço da tela, fazendo o nosso olhar dançar por entre esta algaravia de elementos pictóricos.

George Barbosa, na composição "Paris", traz uma visão da complexidade urbana, e como, no contexto da metrópole o ser humano é um elemento intrigante, a se integrar no cenário, contribuindo para o todo não apenas com o seu olhar, mas também com a sua própria imagem.

Uma das obras que mais nos chama a atenção é a primorosa pintura de Valéria Rey Soto, uma impressionante composição com um desenho encantador, onde a encenação dos personagens se assemelha a Gustav Klimt, em particular na obra "O Beijo". Trata-se de uma delicada cena onde se observa o relacionamento entre mãe e filho, registrado de maneira poética, onde a criança, a solicitar da mãe a atenção, está no campo de ação desta presença feminina como em um plano de plena harmonia, onde o manto que à mãe recobre, trabalhado com arabescos magistralmente integrados ao ambiente cromático, escorre sobre os personagens, como a envolvê-los na magia da arte e da beleza.


Antônio Mendes revela desenvoltura na escolha das cores e no arranjo de volumes, em um casario estilizado, que remete a Kandinsky, em sua transição do figurativo para o abstrato. Mendes comentou sobre o continuado esforço que o artista deve empreender para transitar entre a imagem observada e o mundo subjetivo, a fim de não ser escravo da realidade, mas também sem se perder no jorro de emoções que advém da psiquê, procurando manter uma linha de equilíbrio entre o real e o imaginário. E ao fim dessa luta, onde a sintonia entre o objetivo e o subjetivo deve ser mantida, a obra é o resultado desse diálogo. 

A exposição de arte é um âmbito de intercâmbio de talentos. Como em cada ocasião onde há um ambiente cultural, voltado para o deleite do espírito pela janela do olhar, vão se reunindo os presentes à mostra, de lado a lado, figurando em grupos animados, discorrendo sobre todo esse assunto artístico, como a veia que o fluxo leva, nas belas imagens que irradiam uma pequena explosão de alegria, e essa onda, feito uma corrente de luz de um filme de ficção científica, circula entre cada uma das cabeças pensantes.

Em meio ao distinto público, a artista Beatriz Brenner nos fez a gentileza espontânea de apresentar seu pequeno caderno de esboços, um livro de viagem com graciosas aquarelas, que sutilmente se derramam entre as páginas, como retratos da mente, imagens que se ajuntam em combinações espaciais de proporções exatas, apenas para fazer desenhos de cenas e acontecimentos do caminho, onde sorri a pessoa amiga, que num abraço expressa partidas ou chegadas, num simples caderninho, que também de esboços acaba por revelar a perfeição de cada momento.


E neste sentido é que se diz da importância do acontecimento cultural para a expansão dos valores coletivos das artes, fortalecendo toda essa categoria de criadores, contribuintes da cultura, e que se reconheça a cultura como um valor absoluto, e imprescindível para o bem da sociedade.


Algumas obras de artistas da mostra




Córdula autografa seu livro 

Foto de Lucas Oliveira 
onde se vê Córdula folheando os originais.

Foto Divulgação Arte Plural



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Galeria Arte Plural

Exposição “Ensaio Geral” e lançamento do livro de Esboços (sketchebook), de Raul Córdula.

Rua da Moeda, 140, Bairro do Recife

Visitação do público: 10 de dezembro a 28 de janeiro – terça a sexta, das 13h às 19h | sábados, das 16h às 20h.
Entrada franca.
Informações: (81) 3424.4431