A mostra, que se encontra aberta à visitação na galeria MOMA, dos amigos Marco Monaldi e César Machado, impressiona à primeira vista.
Damos de cara com imensas telas de rico colorido, onde uma profusão de figuras humanas se reúne num diálogo silencioso. Onde os gestos de olhar, interagir e tocar, são testemunhos da riqueza de existir, cenas de variado movimento que nos lembram o quanto a paz é uma grandeza inestimável, pois é onde os seres se reúnem para celebrar a vida, e ter o prazer de contemplar as gerações, ampliando a percepção da mente universal que vai chegando, no nascimento de cada criança.
A palavra MATERNIDADE, diz muito sobre os elaborados movimentos humanos que se acolhem mutuamente, se afagam e divertem, ou sob a profundeza da percepção, tornam-se sérios, pensativos. Mas continuam ligados, por cordões invisíveis que são mantidos pelo intento de zelar uns pelos outros.
A grande mãe desse universo é a artista, que vai passeando num flerte com a terceira dimensão, em seus empastes e relevos, suas generosas texturas, que ajudam a conferir um sentimento de materialidade, diante da imagem, que por natureza é mais sutil do que o tato. A textura então, o relevo, faz o cérebro lembrar o contexto material da cena.
As cores são livres, como é livre o sentimento que impulsionou Vânia Coutinho a se suprir de todos os elementos disponíveis para a criação plástica, desde o gesso ao apurado das cores, num diálogo audacioso, pouco comum na prática de muitos artistas, que preferem paletas mais restritas, pelo medo de errar... Mas Vânia, destemida, se lança ao abraço das cores, e o faz com equilíbrio, sem perder-se em dissonâncias cromáticas, Coutinho se revela uma artista madura, com domínio de sua busca visual.
Suas figuras não possuem a rigidez do desenho de um Caravaggio, mas, com toda a leveza, convencem pelo conjunto, agradam por se revelar a verdadeira arte, onde o traço é só mais um aspecto, que não deve se sobressair ao plexo solar, de onde brota toda a emoção no momento criativo.
São como cenas barrocas, e o espaço da tela é preenchido por um conjunto de dramas paralelos, que cativam a observação.
Eis a princípio o conjunto de impressões acerca da artista Vânia Coutinho em sua mostra, que é como um livro onde sempre haverá algo a se ler, ou reler, sem que a história se torne menos interessante.
Estava presente na abertura o crítico de arte e curador da artista, o italiano Giancarlo Ottaviani, que nos brindou com uma inestimável palestra sobre o olhar artístico, que suprime dúvidas sobre o que é uma boa obra de arte, como apreciar uma obra de arte em seu valor supremo, a dança interna do espírito humano.
Vânia nos favoreceu com uma demonstração de sua técnica, ampliando a compreensão sobre seu processo criativo.
Ottaviani, também artista, fez uma excelente demonstração de talento, ao pintar, em poucos minutos, o retrato de Vânia Coutinho usando apenas um pincel e uma xícara de café.
A oportunidade ímpar de presenciar esses momentos inspiradores de elevada erudição, são o alto prêmio de se fazer presente em um evento desta natureza.
Serviço:
Vânia Coutinho
Exposição Maternidade
Galeria MOMA
Av. Rosa e Silva 670, Sobreloja, Edf. Antares.
Esquina da rua Amélia com Rosa e Silva.
De 11/03/2016 a 08/04/2016
das 15 às 19 hs.


